Curso sobre a História e Historiografia de Canudos, em sua segunda edição, acontece de 6 de abril a 4 de maio, com inscrição gratuita
- 26 de mar.
- 6 min de leitura

II Curso História e Historiografia de Canudos - Edição 2026
INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DA BAHIA
II EDIÇÃO - CURSO SOBRE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DE CANUDOS
TEMA: UMA CHAVE PARA CANUDOS
Modalidade: Online (Plataforma Zoom)
Datas: abril/maio: segundas-feiras 06/04; 13/04; 20/04; 27/04; 04/05/2026.
Horário: das 19:00 às 21:00
Carga Horária: 10 horas
Inscrições: Gratuitas.
Público-Alvo: estudantes, profissionais das ciências humanas e demais interessados no tema.
Ministrante: Prof. Marcos Roberto Brito dos Santos – É doutor e mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Graduado em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), com especializações em História da Bahia, História do Brasil, e Teoria da História e Historiografia. Nos últimos anos, vem se dedicando, em especial, ao estudo dos discursos e das narrativas históricas construídas sobre o Arraial do Belo Monte e a Guerra de Canudos, assim como à reflexão sobre as suas fontes documentais. Interessa-se ainda por temáticas transversais relativas à escrita da história e ao contexto histórico da Guerra de Canudos como: memória e historiografia no século XIX; transição da Monarquia à República; Republicanismo e Anti-republicanismo na segunda metade do século XIX; primeiros governos republicanos (de Deodoro da Fonseca a Prudente de Morais). É membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB).
Módulo 1: Breve introdução à Guerra de Canudos (4 horas)
Módulo 2: A Faculdade de Medicina da Bahia e a Guerra de Canudos na interpretação de
Alvim Martins Horcades (6 horas)
SOBRE O CURSO
O curso é uma reedição revista e reformulada do curso ministrado no ano passado (2025) no âmbito do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), abordando a história e historiografia da Guerra de Canudos. É composto de dois módulos, sendo agora um de caráter introdutório, com carga horária de 2 horas, em que é abordado a trajetória do peregrino Antonio Conselheiro, a formação e desenvolvimento do arraial do Belo Monte e as diversas fases da Guerra de Canudos; o segundo, um módulo especializado (que pretende ser substituído em cada edição anual), trata em 2026, excepcionalmente como em 2025, da participação da
Faculdade de Medicina da Bahia no evento, embora pretenda agora dar um novo enfoque, enfatizando a história da assistência médica aos feridos e doentes e a interpretação dada ao episódio pelo estudante de medicina, o acadêmico Alvim Martins Horcades, discutindo mais profundamente sua obra Descripção de uma viagem a Canudos, escrita em 1899, onde apresenta uma narrativa memorialística de suas vivências na Guerra. Através do seu testemunho, Alvim Martins Horcades nos legou um olhar prototípico, no que diz respeito a concepção de história do século XIX, mas ao mesmo tempo peculiar sobre a Guerra de Canudos, notabilizando-se pela enfática denúncia que fez, em face da degola e extermínio dos prisioneiros de guerra.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1. Introdução à Guerra de Canudos
1.1. Antonio Conselheiro e a formação do arraial do Belo Monte
1.2. As quatro expedições contra Canudos
2. A Faculdade de Medicina e a Guerra de Canudos na interpretação de Alvim Martins
Horcades
2.1. A Faculdade de Medicina e a Guerra de Canudos: os hospitais provisórios
2.2. A Faculdade de Medicina e a Guerra de Canudos: a atuação dos professores
2.3. A “Mocidade Acadêmica” na Guerra de Canudos.
2.4. Alvim Horcades e a Guerra de Canudos
RESUMO
Segundo a historiografia clássica sobre o tema, Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro, cearense de Quixeramobim, fundou o arraial do Belo Monte, na Bahia, no ano de 1893, nas terras da antiga Fazenda Canudos, após longa peregrinação no Sertão nordestino e atuação sócio-religiosa (arregimentação de um grupo de seguidores, pregações, romarias, reforma e/ou construção de açudes, muros, cemitérios, igrejas), que levaram a tensões e conflitos com autoridades eclesiásticas, policiais, governamentais, fazendeiros e políticos da região. Após sua fixação naquelas terras, juntamente com seus seguidores, as
autoridades políticas e religiosas realizaram tentativas de dissolução do agrupamento, como o envio ao arraial, em 1895, de missionários capuchinhos, em uma tentativa frustrada de convencer a população a se dissipar.
Em fins de 1896, novo conflito dá início à Guerra com o envio de uma 1a expedição militar, sob o comando do Tenente Pires Ferreira. Após derrota desta e de mais duas expedições, organiza-se uma 4a, sob o comando do general Arthur Oscar, que, enfim, sairá vitoriosa em outubro de 1897.
Os primeiros registros da participação da Faculdade de Medicina da Bahia na Guerra de Canudos remonta a março de 1897, após a derrota da 3a Expedição Militar à Canudos, sob o comando do General Antonio Moreira César. Porém, somente em julho daquele ano, a Faculdade de Medicina da Bahia resolve entrar decisivamente no episódio, com a criação de hospitais provisórios na capital baiana (na própria sede da Faculdade de Medicina da Bahia, no Mosteiro de São Bento, no Arsenal de Guerra e no Forte da Jequitaia), assim como através do envio de duas turmas de estudantes (em 27 de julho e 03 de agosto de 1897, respectivamente) para o centro de operações militares no Sertão da Bahia.
O acadêmico de medicina Alvim Martins Horcades é um dos estudantes que se dirige ao local do conflito junto à primeira turma. Ao retornar, ele trouxe, entre outros butins de guerra, a chave da Igreja de Santo Antônio (também chamada Igreja Velha), e procurou narrar sua experiência em um livro intitulado Descripção de uma viagem a Canudos, publicado em 1899, dois anos após o retorno do front de batalha.
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