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Inventor do Balão ganha Memorial em Cachoeira

06/08/2019

INVENTOR DO BALÃO GANHA MEMORIAL EM CACHOEIRA

 

 

Na manhã desta segunda (5) de agosto, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia inaugurou em Belém, distrito de Cachoeira, o Memorial do Pe. Bartholomeu Lourenço de Gusmão, inventor do aeróstato (balão de ar quente). Um dos inventos mais importantes da tecnologia mundial completou, nesta data, 310 anos, da apresentação feita em 1709, à Corte do Rei D. João V, na Sala das Embaixadas do Palácio Real – Casa das Índias – em Lisboa, com a presença de todos os embaixadores, inclusive o núncio apostólico do Vaticano, que registrou o feito por escrito.

 

O memorial é uma parceria do IGHB com a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Cachoeira, representada pelo padre Helio Vilas Boas. O ato teve a presença, também, do idealizador do memorial, engenheiro e professor Adinoel Motta Maia, dos jornalistas Jorge Ramos e Romario Gomes, representantes do IGHB, do presidente do Gabinete Português de Leitura, Abel Travassos, além de autoridades locais, estudantes e a comunidade cachoeirana. 

 

 

 

O espaço que abriga o memorial constitui um registro histórico-geográfico-religioso, além de um instrumento de apoio a pesquisa e estudo tecnológico e científico para a população da região, turistas em visita a Cachoeira e estudiosos de todo o Brasil. Os painéis poderão ser visitados diariamente, durante o horário de funcionamento da igreja. "Esperamos contar com o apoio dos poderes públicos, instituições de ensino, comunidades locais e visitantes, para enriquecer e disseminar a importância desse memorial", pontuou o jornalista Jorge Ramos, membro da comissão de Cultura e representante do IGHB.

 

"Bartholomeu tornou-se inventor, ainda no início do século XVIII, realizando uma obra hidráulica pioneira em Belém e um primeiro voo no palácio da corte portuguesa, em Lisboa, testemunhado e registrado oficialmente, no dia 5 de agosto de 1709 – data esta anterior à da performante do para-raios de Benjamim Franklin (1752), que se considera erroneamente como o primeiro invento do homem nas Américas, assertiva esta que já deve, assim, ser corrigida", defendeu o proponente e autor dos textos do memorial, engenheiro e professor Adinoel Motta Maia.

 

 

 

 

O especialista ainda destaca um outro invento de Bartholomeu Lourenço de Gusmão: a elevação da água por um cano, sendo ele devidamente apresentado e anotado em órgão público oficial, em sessão da Câmara de Vereadores da Cidade de Salvador (Bahia/Brasil), realizada na data de 12 de dezembro de 1705 – três anos e meio antes do voo do aeróstato. 

 

O padre voador Bartholomeu Lourenço, de nacionalidade então portuguesa e hoje brasileira, nasceu em 1685, na então Rua Santo Antonio – hoje Rua do Comércio – cidade de Santos, São Paulo. Era o quarto filho do português Francisco Lourenço e da brasileira Maria Álvares. Foi levado para Belém de Cachoeira, na igreja do mesmo seminário ao qual chegou e onde cresceu, sob a proteção do padre Alexandre de Gusmão (sobrenome que seria acrescentado por Bartholomeu ao seu nome, quando viveu em Lisboa e Coimbra). Viajou pela Holanda, Inglaterra e França. Estudou na Universidade de Coimbra, concluiu a Faculdade de Cânones e passou a dedicar-se a pesquisas técnico-científicas nos campos da aerostação, criptografia, hidráulica, história, literatura, matemática e teologia. Faleceu em 19 de novembro de 1724, em Toledo, na Espanha, aos 38 anos. É o patrono do Serviço de Assistência Religiosa da Aeronáutica, que o considera um dos precursores da aviação.

 

O professor Isac Tito dos Santos, membro do conselho de Turismo de Cachoeira, acredita que a homenagem é um resgate à memória do inventor Bartholomeu Lourenço de Gusmão. "O turismo de Cachoeira recebe este acervo que enriquece a nossa história e a nossa cultura".  "Estou profundamente emocionada com esse encontro. É uma honra estar aqui e prestigiar um memorial que engrandece Belém de Cachoeira", acrescentou a ex-vereadora e considerada a mais ilustre moradora de Belém, Angelina Cordeiro (dona Nenzinha). "Que as futuras gerações se espelhem neste exemplo de Bartholomeu, autor de uma bela teoria científica, e ajudem a preservar este memorial", é o que espera o morador e pesquisador Antonio Morais Ribeiro. 

 

O IGHB é apoiado pelo programa Ações Continuadas a Instituições Culturais, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) através do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). Funciona de segunda a sexta, das 13h às 18h. Mais informações no site www.ighb.org.br

 

 

 

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