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100 anos do Pavilhão 2 de Julho é tema de seminário dia 17 de julho, no IGHB

06/07/2018

O IGHB promove dia 17 de julho, às 16 horas, o seminário 100 ANOS DO PAVILHÃO DOIS DE JULHO. Farão parte da mesa, a professora Antonietta D´Aguiar Nunes, o restaurador José Dirson Argolo e o jornalista Jorge Ramos.

 

Histórico:

No dia 2 de Julho, data magna da Bahia, 195 anos do final da Guerra pela Independência do Brasil, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBa) comemorou também o primeiro centenário da inauguração do Pavilhão da Lapinha. Nele, ficam guardados os carros emblemáticos e as esculturas do Caboclo e da Cabocla, símbolos da luta dos baianos para consolidar a independência. No Largo da Lapinha, de onde parte o tradicional cortejo das festas do 2 de Julho, ficam além do Pavilhão o busto do General Pedro Labatut, um dos comandantes do Exército Libertador. Ali foi o local de parada, para um breve descanso, do primeiro batalhão brasileiro que, vindo de Pirajá, ultrapassou a barreira inimiga e entrou triunfalmente em Salvador após a fuga das tropas portuguesas.

 

Origens

Em 2 de Julho de 1824, ano seguinte ao fim da guerra, um grupo de patriotas baianos - entre os quais estavam muitos heróis que participaram da campanha - resolveu comemorar o aniversário da epopeia. Uma carreta que havia sido tomada dos inimigos durante a Batalha de Pirajá foi ornamentada com folhagens e nela foi colocado um velho caboclo, a representar o povo mestiço da Bahia que lutou na guerra. O desfile saiu da Lapinha em direção ao Terreiro de Jesus, recebendo em todo o trajeto muitos aplausos.

 

Em 1826, o artista baiano Manoel Ignácio da Costa esculpiu, por encomenda do mesmo grupo de patriotas, a figura do Caboclo e decorou a mesma carreta com elementos que faziam referência à guerra, aos locais das batalhas decisivas, e à conquista da independência. Mais tarde foi esculpida por Domingos Baião a figura da “Cabocla”, a representar a força e a presença ativa das mulheres na formação do Brasil. Foi inspirada na figura de Catarina Paraguaçu, que nos primórdios da colonização portuguesa formou com o náufrago português Diogo Álvares Correia (o “Caramuru”) a primeira família brasileira composta por uma nativa e um europeu. Nos anos seguintes, o desfile adquiriu uma grande dimensão na vida dos baianos e se consolidou como um dos maiores eventos cívicos do Brasil.

 

Em 1860, após um período de baixa participação popular, quando os festejos do 2 de Julho entraram em franca decadência, a “Sociedade Patriótica 2 de Julho”, integrada em sua maioria por pessoas ligadas às atividades comerciais, lançou uma campanha para revigorar a festa e adquiriu um terreno na Lapinha, onde em seguida construiu um barracão para alojar as duas carretas e as imagens do “Caboclo” e da “Cabocla”. Com o passar dos anos, o barracão ficou muito mal conservado, até que em 1917 o Major Cosme de Farias entregou as chaves do barracão, as carretas e as imagens ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBa) “para a guarda eterna”, conforme disse na solenidade.

 

O IGHBa, que havia sido fundado em 1894 com o objetivo de preservar a memória histórica da Bahia, preocupou-se desde logo em construir um local condigno para abrigar todo o acervo ligado ao 2 de Julho. Foi lançada então uma campanha de subscrição popular para angariar recursos destinados a construir, no mesmo local, um Pavilhão. O tesoureiro do IGHBa na época, Arnaldo Pimenta da Cunha (primo do escritor Euclides da Cunha e mais tarde, Prefeito de Salvador) presidiu a Comissão Organizadora. As obras foram concluídas em 52 dias. Registros de jornais da época indicam que centenas de baianos apresentaram-se para, como voluntários, trabalhar na obra. Foram tantas adesões que foi necessário organizar turnos especiais, inclusive nos finais de semana, para atender a todos que se dispunham a colaborar e principalmente concluir as obras em tempo hábil para ser inaugurado em 2 de Julho de 1918.

 

No dia, a solenidade comemorativa da data magna da Bahia foi uma das maiores e grandiosas até então. Logo cedo, bandas militares, escolas, filarmônicas e a representação de diversas entidades, com seus estandartes, aglomeraram-se no Terreiro de Jesus para formar um préstito, que seguiu em direção ao Largo da Lapinha, com centenas de pessoas se incorporando no trajeto. Às 10 horas houve a solenidade de inauguração do Pavilhão, com a Benção Especial, ministrada pelo Arcebispo do Ceará, o baiano Manoel da Silva Gomes. Em seguida, o então orador do IGHBa, Bernardino de Souza, proferiu um vibrante discurso em que exaltou os relevantes “feitos históricos de nossos antepassados” e conclamou: “E aqui está, meus dignos concidadãos, o Pavilhão 2 de Julho, onde para todo e sempre ficarão encerradas, para os respeitos do povo, relíquias venerandas de recordações memoráveis... E nosso pensamento entesourará aqui tudo o que se reporte à quadra homérica da luta de 17 meses, de 1822 a 1823... Será assim um moderníssimo Museu da Independência”. Em seguida teve início o desfile até o Terreiro de Jesus. O fervor da população neste ano transformou o evento numa festa grandiosa.

 

Jorge Ramos

Comissão de Cultura do IGHB

Reg. Prof. 886/DRT-BA

 

 

 

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