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Pinacoteca

A Pinacoteca do IGHB reúne um valioso conjunto de pinturas que retratam personagens e momentos marcantes da história da Bahia, do Brasil e do mundo. São obras que preservam a memória, revelam costumes, contextos e expressões artísticas de diferentes épocas, constituindo um importante patrimônio cultural e documental.

A Pinacoteca do IGHB

O acervo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia é de grande importância para a história baiana e brasileira, por retratar fatos e personagens que tomaram parte no desenvolvimento social de nosso povo. Sua pinacoteca é constituída na sua maior parte por pinturas de grande, médio e pequeno porte, na sua quase totalidade retratos, representando vultos históricos que se destacaram na cena política, religiosa, social e intelectual ao longo da história do Brasil e principalmente da Bahia, daí sua enorme importância tanto para a história como para as artes plásticas. Qualquer estudioso que queira pesquisar sobre a arte de retratar no Brasil no séc. XIX e XX terá, no acervo do IGHBA, uma excelente fonte. Na sua pinacoteca, constituída de quase duzentas obras, pode-se admirar retratos da nobreza portuguesa e brasileira, incluindo reis, rainhas, imperadores e imperatrizes, a exemplo de D. João V, D. João VI, D. Pedro I, D. Leopoldina, D. Maria Amélia, D. Pedro II, D. Tereza Cristina e vários outros, além de condes, viscondes e barões do Recôncavo.

Merece destaque na pinacoteca os retratos de heróis da Independência da Bahia, Soror Joana Angélica, Maria Quitéria e Lord Cochrane. Há também importantes obras retratando governadores da Bahia, generais, cavaleiros e damas do período colonial, imperial e republicano.

Também estão representados, na coleção do IGHBA, os intelectuais baianos mais ilustres como Rui Barbosa, Castro Alves, historiadores, escritores, pintores, etc. Há também um pequeno número de obras sacras e imagens iconográficas da cidade do Salvador, de grande valor documental. Além da importância documental, vale ressaltar a excelente qualidade técnica das obras, na sua quase totalidade executada em óleo s/tela. Os mais expressivos pintores baianos do séc. XIX aí estão representados, entre eles, João Francisco Lopes Rodrigues, Manoel Lopes Rodrigues, José Antônio da Cunha Couto, José Rodrigues Nunes, etc., de valor de qualidade técnica e de autoria. Do séc. XX, destacam-se Presciliano Silva, Vieira de Campos, Rescala, Emídio Magalhães, Robespierre de Farias, sem falar nos nomes nacionais como Antônio Parreiras e os estrangeiros Miguel Navarro e Canizares, Vienot e Morrisset, Ernest Penit e Auguste Petit.

José Dirson Argolo

Professor, associado do IGHB e restaurador

Catálogo da Pinacoteca do IGHB

Conheça o catálogo completo das obras que integram a Pinacoteca do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

Pinacoteca do IGHB
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A Mulher de Bigode

Retratos dos séculos XVIII e XIX exibem homens de barbas e bigodes fartos. Era de praxe por uma questão de praticidade. Se os homens dispensassem a pelugem da cara deviam frequentar o barbeiro, ou chamar um deles para fazer o serviço em suas residências. Algumas mulheres também exibiam pelugem na cara, especificamente aquele bigodinho que originou o ditado: “com mulher de bigode ninguém pode”. A rígida moral da época impedia que mulheres frequentassem os barbeiros, profissão exercida por escravos alforriados em geral. O jeito era
deixar o bigodinho ao capricho da natureza. Barbeiros eram também músicos e especialistas em sangrias, auxiliando a rudimentar medicina da época. Ocorre que nem sempre as mulheres exibiam um bigodinho, era bigode ou bigodão. É o caso do farto bigode de Dona Maria Epifânia de São José e Aragão, nobre matriarca baiana que viveu no século XVIII, irmã do Visconde da Torre (da linhagem de Garcia D’Avila), herdeira de uma fortuna incalculável. Dona Epifânia usava um grande bigode que pode ser apreciado na sua real densidade em retrato, pintura a óleo, que faz parte do acervo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, localizado no primeiro pavimento do espaço. Na tela, aparece ostentando um manto característico das imperatrizes e muitas joias de valor incalculável. Era filha de José Pires, Senhor dos Engenhos Cazumbá, Passagem e Nossa Senhora da Conceição, e que chegou a residir no hoje Solar do Unhão. Maria Epifânia a mulher de bigode, casou-se com um primo, como era habitual na época, o capitão-mor Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, filho do capitão-mor, seu homônimo. A mulher de bigode jamais imaginou que um dia (1895) um americano chamado King Camp Gillette inventaria o aparelho de barbear. Muito menos que, a partir da segunda metade do século XX, seriam inventadas as ceras de depilar e que, apagar os bigodes, mesmo que doloroso, seria apenas um hábito de rotina e, no caso dela, uma urgente providência.

Nelson Cadena
Escritor, jornalista e pesquisador no IGHB

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Museu do IGHB

O IGHB possui um importante acervo museológico, incorporado ao longo dos anos, formando assim uma das mais representativas coleções históricas e artísticas da Bahia.

A coleção de pinturas, a maioria retratando personalidades marcantes na História do Brasil e da Bahia, poderá ser apreciada em todos os espaços da instituição.

Renomados artistas da época enriqueceram a pinacoteca do IGHB e convidam a sociedade a conhecer a História da Arte através dos variados estilos, técnicas e concepções criativas, a exemplo de obras de Presciliano Silva, Lucílio de Albuquerque, Vieira de Campos, Miguel Navarro e Cañizares, José Rodrigues Nunes, Vienot et Morisset, Ernest e August Petit, entre outros.

Através da coleção de mobiliário dos séculos XIX e XX, o pesquisador e os visitantes em geral percebem como vivia a sociedade baiana, cujo comportamento estava diretamente ligado às questões da moradia, dos objetos do cotidiano, das peças de uso doméstico e do trabalho. Estabelecer um diálogo com a contemporaneidade é de fundamental importância para que o acervo permaneça vivo e pulsante.

Outras coleções fazem parte do acervo institucional: esculturas, numismática, armaria, objetos geográficos, objetos da cultura de matriz africana e da cultura dos povos originários, porcelanas, cristais, condecorações, urnas funerárias, peças arqueológicas.

A visita ao acervo acontece diariamente, das 14 às 17h, gratuitamente.

Para grupos acima de 10 pessoas, solicitamos agendamento através do e-mail: museu@ighb.org.br

Mãe Preta

A tela “Mãe Preta” foi oferecida ao IGHB pelo governo do Estado, em 1920, com a inscrição em cartão de prata “Homenagem da Bahia a Mãe Preta”. Trata-se da figura da ama-de-leite, representando as escravas jovens, lactantes, que eram obrigadas a amamentar os filhos dos senhores, em prejuízo da saúde e desenvolvimento de seus próprios filhos. 

O quadro registra uma cena tocante. Uma mulher negra, sentada no chão, traz ao colo e amamenta uma criança branca, enquanto o filho, deitado sobre uma esteira no chão, lhe lança o olhar a certa distância. Trata-se de uma cópia do quadro homônimo, criado por Lucilio de Albuquerque em 1912, que teve grande repercussão a partir da exibição na Exposição Geral, no Rio, e que pertence ao acervo do Museu de Arte da Bahia. A cópia do IGHB foi feita por Presciliano Silva, em 1919. O poder de representação da obra pode ser dimensionado num fato histórico ocorrido dez anos depois. Em 28 de setembro de 1929, quando se completaram 58 anos da Lei do Ventre Livre, promulgada em 1871, lideranças negras de Salvador, mobilizadas pelo Centro Operário, promoveram o Dia da Mãe Preta, com caminhadas, concentrações e discursos.

Trecho do artigo “As mulheres do século XIX – a

coleção de pinturas do IGHB”, da professora Suzana

Alice Silva Pereira (Ufba), publicado na Revista

114/2018 e disponível no site www.ighb.org.br

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