Representações afro-brasileiras e a participação feminina na construção das musicalidades nacionais

Curso de História da Música Popular Brasileira

Abrindo a roda: representações afro-brasileiras e a participação feminina na construção das musicalidades nacionais


AULAS VIRTUAIS E DE CAMPO

21 a 25 de novembro de 2022 (PELO ZOOM)

AULAS DAS 14H ÀS 17h

Área de conhecimento: música, história, estudos culturais, arte educação

Carga horária: 20 horas/aula

Público-alvo: público geral, profissionais liberais, artistas, professores, historiadores, estudantes secundaristas, universitários, especialistas, mestres e curiosos.

Faixa etária: a partir de 14 anos

Docente: Juliana Ribeiro (Cantora, Compositora, Historiadora, Arte Educadora e Mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA. Possui formação técnica em canto lírico pela UFBA e especialização em canto popular pela UNICAMP- S.P. Iniciou sua carreira em 2001, com shows dentro e fora do país cantando as diversas matrizes que compõem o samba. Possui um EP lançado em 2009, o CD Amarelo lançado em 2012, concorrente ao Prêmio da Música Brasileira, e acaba de lançar seu terceiro álbum “Preta Brasileira”. Mais informações acesse www.julianaribeirooficial.com.br e @julianaribeiro_oficial.)


O curso multidisciplinar Abrindo a roda: representações afro-brasileiras e a participação feminina na construção das musicalidades nacionais visa alargar o olhar sobre a participação das artistas negras no processo de construção das identidades nacionais, muitas vezes invisibilizadas historicamente, assim como o legado das matrizes sonoras diaspóricas ressignificadas no Brasil.

Abordaremos o legado das artistas negras na história tradicional (a partir de Tia Ciata) a sua real participação na formação das musicalidades brasileiras. O lugar de ventre dentro do samba e sua repercussão na formação cultural nacional; as relações híbridas que elegeram o samba como ícone nacional no século XX. A casa das tias baianas, os sons dos corpos femininos e a criação de novas tecnologias sonoras pelas mulheres. O samba, sua constituição híbrida musicalmente e heterogênea socialmente (Hermano Vianna). A influência Banto na formação da MPB; o “pretoguês” e a criação de gêneros musicais como Vissungos, Curimas, Pontos, criando rasuras no português formal (Lélia Gonzalez). A tentativa de silenciamento das claves negras na construção do cancioneiro popular enquanto gênero musical. As divas negras nos anos 1960; o samba como primeira música de protesto social. As mulheres no samba, suas trajetórias invisibilizadas, a insubmissão das compositoras negras de Tia Ciata até a geração “tombamento”. O Samba de Roda do Recôncavo Baiano, a Chula e as permanências da cultura Banto na atualidade.

Nessa abordagem multidisciplinar, os estudos culturais, a história e a música serão as bases teóricas para a compreensão da formação das identidades nacionais, o lugar das representações afro-diaspóricas e a invisibilização feminina na construção das musicalidades brasileiras. A escuta será tratada como elemento construtor de símbolos individuais e códigos sociais (Roland Barthes). Em sala utilizaremos a escuta participativa como ferramenta para a compreensão das relações de espaço e tempo na música, a percepção de rupturas e/ou continuidades do lugar da mulher na canção entre os séculos XIX, XX, XXI e seus reflexos sociais na contemporaneidade. Práticas de percepção musical, execução das claves brasileiras e exercícios vocais e corporais agregam o processo multidisciplinar de aprendizagem deste curso.

OBJETIVO:

Compreender o lugar feminino no processo de construção das musicalidades nacionais associado ao protagonismo das representações afro-diaspóricas na formação das nossas identidades, oportunizando também ao aluno práticas sonoras através de exercícios de percepção musical.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

- Alargar o olhar sobre a participação das artistas negras dentro da construção da música brasileira popular, seus silenciamentos até a “geração tombamento” ;

- Perceber o protagonismo das matrizes afro-brasileiras na construção das identidades nacionais;

- Abordar o processo de construção do samba como ícone nacional a partir do legado musical afro-brasileiro, sua constituição híbrida musicalmente e heterogênea socialmente, discutindo seu lugar de mediador cultural;

- Utilizar a escuta musical como ferramenta prática para o entendimento das identidades, das construções sonoras femininas e suas continuidades culturais na contemporaneidade;

- Vivenciar a percepção musical de forma horizontal através de exercícios de prática vocal e corporal ao longo do curso.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

- As musicalidades afro-brasileiras e a construção das diversas identidades nacionais;

- O lugar das artistas negras na constituição das musicalidades brasileiras e seus silenciamentos;

- O samba como mediador cultural a sua constituição híbrida social;

- As divas nacionais e a invisibilização das compositoras negras dentro do samba;

-O Samba de Roda do Recôncavo Baiano, a Chula e as permanências Banto na atualidade;

- Exercícios de percepção musical, prática vocal, corporal e instrumental;

- Compreensão da importância da síncope no processo de construção das musicalidades e identidades brasileiras.

METODOLOGIA

- Exposição participada via plataforma zoom;

- Projeção de filmes e imagens;

-Escuta participativa, análise musical e percepção cognitiva das canções;

- Debates de textos e construção de conteúdos em sala;

- Exercícios de prática musical, corporal e vocal;

- Exercícios de percepção musical.

RECURSOS

- Computador e aparelho celular;

- Suporte via plataforma Zoom;

- Caixa de som, microfone, pedestal;

- Instrumentos musicais: pandeiro, chocalho , agogô, reco ,etc;

- Metrônomo;

- CDs e DVDs.

AVALIAÇÃO

- Avaliação participativa e diária;

- Envolvimento dos alunos nos debates e escutas musicais;

- Disponibilidade para as práticas artísticas e exercícios musicais de corpo e voz;

- Criação individual ou em grupo de um mini-vídeo com ritmos urbanos presentes no cotidiano dos bairros, das ruas, associado à intervenção artística dos alunos. Duração de 1 a 5 minutos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMIRANTE. No Tempo de Noel Rosa. Rio de Janeiro: Sonora Editora, 2013.

BAUMAN, Zygmunt. O Mal Estar da Pós-Modernidade. Tradução Mauro Gama e

Claudia Martinelli Gama. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

BARTHES, Roland. O grão da voz. Lisboa: Edições 70, 1985.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de

Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CALABRE, Lia. A era do rádio. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.

CALABRE, Lia. O rádio na sintonia do tempo: radionovelas e cotidiano (1940-1946).

Rio de Janeiro: Edições Casa de Ruy Barbosa, 2006.

CARNEIRO, Edison. A sabedoria popular, 3.ed. São Paulo: WMF Martins Fontes,

2008.

CASTRO, Ruy. Carmen: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Tradução Ephraim Ferreira Alves.

Petrópolis, RJ, Vozes, 1998. v.1.

COSTA, Leonardo Figueiredo. Um estudo de caso sobre a Mediação Cultural. Anais do

V ENECULT. Salvador : Faculdade de Comunicação/ UFBA, 2009.

ENCICLOPÉDIA da música brasileira: popular, erudita e folclórica. São Paulo: Art

Editora/Publifolha, 2003.

GILROY, Paul. O atlântico negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora

34, 2001.

GOLDFEDER, Miriam. Por trás das ondas da Rádio Nacional. Rio de Janeiro: Paz e

Terra, 1980.

GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. In: Tempo

Brasileiro. Rio de Janeiro, Nº. 92/93 (jan./jun.). 1988b, p. 69-82.

HALL, Stuart. Identidade cultural na pós- modernidade. Tradução Tomaz Tadeu da

Silva; Guacira Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HOBSBAWM, Eric. O Novo Século. Entrevista à Antônio Polito. São Paulo: Editora

Schwarcz Ltda., 1990.

LEITE, Leiteres. Rumpilezzinho laboratório musical de jovens: relatos de uma

experiência. Salvador : LeL Produção Artística, 2017.

LEGULLO, Eduardo. Aracy de Almeida: não tem tradução. Rio de Janeiro: Veneta,

2014.

LINS, Paulo. Desde que o samba é samba. São Paulo: Planeta, 2012

LOPES, Nei. Partido-alto: samba de bamba. Rio de Janeiro: Pallas, 2008.

MATOS, Claudia Neiva de. Acertei no milhar: malandragem e samba no tempo de

Getúlio. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

MED, Bohumil. Teoria da Música. 3.ed. Brasília: Musimed,1980.

MOURA, Roberto. Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:

FUNARTE/ Divisão de Música Popular, 1983 (Coleção MPB, 9).

NAPOLITANO, Marcos. História e música: história cultural da música popular. 2.ed.

Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

RIBEIRO, Juliana. Quando canta o Brasil: uma análise do samba urbano carioca

na Rádio Nacional nos anos 1950. Dissertação (Mestrado em Cultura e Sociedade)

Faculdade de Comunicação, Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade. UFBA,

Bahia, p. 134 f.: il. + anexo. 2010.

RIBEIRO, Juliana. Para além do tempo: o deslocamento do lugar da mulher dentro do

samba. In.: FAUSTINO, C.; FREITAS, M.; VAZ, P. (Org.). Coleção Sambas Escritos.

Vol. 3, Massembas de Ialodês: vozes femininas em roda. São Paulo: Ed. Pólen, p. 29 à

36. 2018.

SAROLDI, Luiz Carlos; MOREIRA, Sônia Virgínia. Rádio Nacional: o Brasil em

sintonia. 3.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.

SODRÉ, Muniz. Samba, o dono do corpo, 2. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.( Páginas

11à 28).

SANDRONI, Carlos. Feitiço decente: transformações do Samba no Rio de Janeiro-

1917-1933. Rio de Janeiro: Jorge Zahar/Ed. UFRJ, 2001.

SANTANA, MARILDA. Org. As Bambas do Samba: mulher e poder na roda. Salvador:

EDUFBA, 2016.

Secretaria Especial da Cultura [online]. Disponível em: < http://www.cultura.gov.br/>.

Acesso em: 19 jun. 2019.

UMA LAMBADA no decoro. In: Veja: edição especial República: Música. São Paulo,

p. 102, 20 nov. 1889. Disponível em:

<http://veja.abril.com.br/historia/republica/musica-maxixe-danca-moda.shtml>. Acesso

em: 2 setembro. 2021. Edição publicada em set. 1989.

VIANNA, Hermano. O mistério do samba. Rio de Janeiro: Jorge Zahar /UFRJ, 1995.

WOORDWARD, Kathryn . Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual.

In: SILVA,Tomaz Tadeu (Org.); HALL, Stuart; WOODWARD, Kathryn. Identidade e

diferença: a perspectiva dos Estudos Culturais. 7. ed .Petrópolis, RJ: Vozes, 2007, p. 7-

ZAN, José Roberto. Do fundo de quintal à vanguarda: uma contribuição para uma

história da Música Popular Brasileira. Tese de doutorado. IFCH/UNICAMP, São Paulo,

1996.

FILMOGRAFIA:

AGUIAR, Lindwe. Dona Dalva: uma Doutora do Samba. Documentário. 0:54 min ,

2013

BAROUH, Pierre. Saraváh . Documentário, 1:31min. 1972

KERMES, Werinton. Clementina de Jesus: rainha Quelé. Documentário, 0:55 min.

2012

REFERÊNCIAS MUSICAIS

BASTOS, Nilton. - obra completa

BIDE e MARÇAL. - obra completa

BRANCURA. - obra completa

BRANDÃO, Leci. - obra completa

CRIOLO. - Obra completa


LINK DE INSCRIÇÃO: https://www.sympla.com.br/evento/representacoes-afro-brasileiras-e-a-participacao-feminina-na-construcao-das-musicalidades-nacionais/1743009?_gl=1*1cp59lw*_ga*MTEyMzc4MDg2NC4xNjUyMTIyOTY4*_ga_KXH10SQTZF*MTY2NDk4ODk0NS44OS4xLjE2NjQ5ODkyMTcuMC4wLjA.


O IGHB é uma das instituições apoiadas pelo programa Ações Continuadas a Instituições Culturais, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) através do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). Funciona de segunda a sexta, das 13h às 18h.






Pesquisa online[.png
Youtube.png
Facebook.png
instagram ighb.png