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Livro celebra 220 anos da Revolta dos Búzios

20/08/2018

Livro celebra 220 anos da Revolta dos Búzios

 

 

 

 

Para marcar os 220 anos da também chamada Revolta dos Búzios, que abalou o morno cenário colonial-urbano da então Cidade da Bahia, em agosto de 1798, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) vai lançar a segunda edição do livro “A comunicação social na Revolução dos Alfaiates”, de autoria do jornalista Florisvaldo Mattos. O lançamento acontecerá no próximo dia 24, a partir das 18h, no Instituto  Geográfico e Histórico  da Bahia (IGHB), e integra o programa ALBA Cultural, que  já publicou mais de 300 títulos diferentes, sempre resgatando obras raras da literatura baiana e outras inéditas de autores baianos.

 

No livro que será lançado, Florisvaldo Matos aborda o que considera o ponto crucial da Revolta dos Búzios: o papel da comunicação social na dita insurreição, que visava libertar o Brasil-Colônia do jugo colonizador de Portugal sob o primado de múltiplas bandeiras, tais como independência da Capitania, implantação da república, abolição da escravatura, igualdade para todos, livre comércio com as nações do mundo, interrupção de vínculo com a Igreja do Vaticano, instituição do trabalho remunerado, entre outras.

 

Calcula-se que centenas de pessoas estivessem engajadas no levante, todos em sua maioria pertencentes à mais reduzida condição social. Segundo os estudiosos, apenas 33 deles foram processados: 11 escravos, seis soldados da tropa paga, cinco alfaiates, três oficiais militares, dois ourives, um pequeno negociante, um bordador, um pedreiro, um professor, um cirurgião e um carpinteiro.

 

Mas somente sobre quatro recaíram as penas de enforcamento, seguido de esquartejamento e exposição de despojos fixados em postes e espalhados por vários pontos da cidade. Dois deles eram soldados (Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas do Amorim Torres) e dois artesãos (João de Deus do Nascimento, mestre alfaiate, e Manoel Faustino dos Santos Lira, então oficial alfaiate, mas ex-escravo). Um  quinto personagem, Luiz Pires, também artesão, se livrou da punição porque desaparecera sem deixar rastros numa Bahia colonial, cuja estrutura social se assentava no patriarcalismo e na economia escrava, com uma população estimada em menos de 200 mil habitantes.

 

Baseado em fontes primárias e secundárias, o autor preferiu focar as suas lentes nas relações de comunicação que permitiram, seja no nível interpessoal, pela via oral, com predominância da conversa e do recado, seja no da comunicação manuscrita, com cartas, bilhetes e avisos. Segundo Florisvaldo Matos, os revoltosos atuaram em dois planos: o da formação da consciência política e revolucionária e o da preparação para o levante, praticamente se esgotando nelas toda a engrenagem conspiratória, havendo, no entanto, um momento determinante que levou à frustração e ao fim trágico do movimento.

 

Foi quando, superando repentinamente as limitações da comunicação em círculo privado, na madrugada de 12 de agosto de 1798, a população foi surpreendida com uma série de textos manuscritos. No total  foram dez textos afixados em locais públicos, para onde convergia grande número de pessoas, tais como portas de igreja, os chamados cantos do peixe, açougues, feiras de frutas e legumes, cais do porto, portas de quartéis, tendas de alfaiates e oficinas de artesãos, veiculando mensagens de conteúdo basicamente político-ideológico, em prol de uma reforma social.

 

Deveu-se ao uso de um búzio de Angola, às vezes até preso na lapela, como uma das formas de identificação de conjurados, no trânsito diário por esses pontos, a opção posterior de se dar ao movimento a designação de Revolta dos Búzios, a preferida na atualidade. A partir daí, deflagrada a perseguição, instalaram-se dois processos regidos por dois desembargadores fiéis à Corte de Portugal, um para investigação do que se passou a chamar "boletins sediciosos", espalhados pela cidade, e outro voltado para a reunião de preparação para o levante, que fora convocada para o dia 25 seguinte, no então chamado Dique do Desterro, naquele tempo um lugar afastado e ermo.

 

Foi sobre tal nova forma de comunicação que Florisvaldo Mattos centrou a sua análise, considerando que esses dez “boletins sediciosos”, apesar de manuscritos, foram para os revolucionários e para o movimento “o seu jornal, seu instrumento de divulgação de ideias e definições para um público mais amplo, que extrapolava o circuito da conspiração até aquele momento”.

 

Para o jornalista, essa  expressiva e inovadora forma de comunicação indireta utilizada pelos participantes da conjuração, desempenhou, para a época, o legítimo papel de jornal manuscrito, por meio do qual os conjurados difundiram as suas ideias e projetos de reforma social, com sublevação da ordem constituída, para um público indeterminado - chamado por eles de Povo Bahiense. Motivos de uma das devassas que apuraram a conspiração, segundo Florisvaldo, esses dez boletins sediciosos visavam, em essência, alcançar um público, uma coletividade de pessoas, em apoio do movimento.

 

Nascido em  Ilhéus, Florisvaldo Mattos diplomou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) , em 1958, mas optou pelo exercício do jornalismo, no mesmo ano, integrando inicialmente a equipe fundadora do Jornal da Bahia. Depois,  foi professor da Ufba, onde ministrou disciplinas e ocupou cargos na Faculdade de Comunicação. Jornalista, escritor e poeta, desde 1995 ocupa a Cadeira 31 da Academia de Letras da Bahia (ALB).

 

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