História do Cangaço na Bahia é tema de curso no IGHB


O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (com o apoio da Secult) promove de 28 a 31 de julho, a segunda edição do curso “História do Cangaço na Bahia”. As aulas, que serão ministradas pelo historiador e geólogo Rubens Antonio, acontecem das 14h às 17h, no auditório do IGHB, com entrada gratuita.

Durante o encontro, o público terá a oportunidade de conhecer o movimento que agitou o Nordeste, com reflexos que se estenderam desde então. De acordo com o coordenador, na história do Cangaço, muito daquilo que é verdadeiro, que é fato, está, atualmente, deturpado, obscurecido por camadas e camadas de recontares, lendas, especulações, facciosidades. “O conhecimento dos principais eventos a ele relacionados, porém, é ainda muito limitado. É preciso buscar não só esclarecer como apontar elementos que referenciem o estado de arte do conhecimento. Assim será retrabalhado o sabido e documentado de eventos como combates, abrangências, disposições várias que constituem, muitas vezes, pontos-de-partida para o verdadeiro entendimento enquanto fenômeno histórico", esclarece o professor Rubens Antonio.

A entrada é gratuita e a inscrição deve ser feita no site www.ighb.org.br.

Saiba mais sobre o tema:

Porque discutir a história do Cangaço?

Rubens Antonio - Como tema histórico, ele, nitidamente, não se encerrou em si mesmo. Mostra extensões em diversos aspectos, não só no seu momento, como na atualidade e com a perspectiva a se estender pelos tempos vindouros. São implicações no artesanato, na música, nos eventos artístico-culturais, de uma maneira geral. Ressoam seus fatos e efeitos como reflexos da longa trajetória de problemas e políticas do Nordeste. Para se entender vários elementos que ocorreram, ocorrem e ocorrerão no Nordeste, é necessário o conhecimento do evento do Cangaço, em seus fenômenos, perspectivas, ressonâncias.

Como passou a estudar o Cangaço na Bahia?

Rubens Antonio - Ministrando a disciplina Antropologia, pela Universidade do Estado da Bahia, no sertão baiano, percebi a força presente deste tema. Além disso, tive contato com testemunhas dos eventos com um leque de memórias muito importante e expressivo, que estava se perdendo. Mais ainda, verifiquei a necessidade de ampliar os estudos, uma vez que o acervo disposto nas bibliotecas e arquivos também apontavam para uma grande degradação. Isto, apesar da ressonante importância. Tornou-se, praticamente, uma obrigação partir para a ação.

O Sr. tem se especializado em colorir imagens do Cangaço. Como se deu esse interesse?

Rubens Antonio - A partir da constatação que as pessoas, contemplando as imagens em tons de cinza, praticavam uma “descolorização” do que foi a realidade. Ela amarelava e "preto-e-branquizava"... Foi então que entendi que deveria usar minha experiência de 22 anos tratando imagens, para tentar colocar as coisas em trilhos mais oportunos. Por enquanto quarenta fotos foram trabalhadas em um processo diferente da restauração ou colorização simples. Foram retificadas, isto é, realçados elementos que o tempo ou a má qualidade da foto desfigurou. Pode-se dizer que este trabalho exigiu uma formação especial. Houve uma mistura das técnicas de distintas áreas, como História, Artes Plásticas e programas informáticos. Até mesmo, o senso de complementação lógica, via indução e dedução, muito apreciado e explorado pela Paleontologia, foi utilizado.

Sobre Rubens Antonio: Mestre em Geologia, cursou Geologia, Artes Plásticas e História. Ministrou aulas na Universidade Estadual da Bahia - UNEB de Antropologia - Epistemologia - Metodologia do Trabalho Científico - Ensino de História - Elementos de Geologia - Paleontologia - Sedimentologia - História da Ciência.

Veja a programação do curso:

28 de julho - 1924 a 1929 – Cangaço em ascensão - Alvorada lampiônica - As primeiras notícias - O crescendo do temor - Reações pomposas e inúteis - A chegada efetiva à Bahia- As primeiras sagas e tragédias - Perplexidades

29 de julho - 1929 a 1932 – Cangaço tonitruante - O apogeu do Cangaço na Bahia - A melhor percepção - Menos perdas - Subgrupos e domínios - Início do contra-ataque - Violência de lado a lado

30 de julho - 1932 a 1938 – Derrocada do Cangaço - Perdas crescentes dos cangaceiros - Marcando passo nos coitos - As portas do fim - Lá, apaga-se o Lampeão

31 de julho - 1938 a 1940 e posteridade – Cangaceiros resistentes - Cá, apaga-se o Corisco – Policiais resistentes - Descangaceirização – Punições – ex-cangaceiros – De bandidos a heróis: A Mitificação, quando olhando para frente – O Todo, quando olhando para trás.

Inscrição: www.ighb.org.br 71 3329 4463 / 99745858 (assessoria)

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