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Consuelo Pondé de Sena: Defensora dos Caboclos e do Dois de Julho

01/07/2015

Figura emblemática na abordagem e pesquisa do Dois de Julho, Consuelo Pondé de Sena – ex-diretora do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), falecida em maio de 2015 – será homenageada nos festejos de Independência deste ano. Professora, historiadora, socióloga, antropóloga, Consuelo Pondé de Sena graduou-se em Geografia e História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), se especializando, mais tarde, no estudo da língua Tupi. Presidindo o IGHB por 19 anos, a historiadora sempre expressou sua paixão pela história da Bahia e pelo Dois de Julho, revelando-se uma grande defensora para que a tradição dos desfiles fosse mantida a cada ano e sendo uma das principais personagens na luta para que a data da Independência da Bahia se tornasse reconhecida nacionalmente.

 

Segundo o atual presidente do IGHB, Eduardo Moraes de Castro, Consuelo Pondé foi uma figura de grande importância para o Instituto Geográfico, que neste ano completa 121 anos de fundação. “Consuelo era uma pessoa fantástica e era uma entusiasta em tudo o que fazia. Teve uma grande contribuição para o Instituto, sem a qual o mesmo não estaria aberto até hoje”, afirma Eduardo Moraes de Castro, que ressaltou também a importância do trabalho realizado por Consuelo Pondé para a história e cultura da Bahia. “Ela deixou um espírito em todos nós que nos leva a querer dar continuidade ao seu trabalho com o carinho e zelo que ela tinha à História da Bahia e à Independência do estado”, completa o presidente do IGHB.

 

Lembrança - Consuelo Pondé de Sena será homenageada no desfile oficial do Dois de Julho deste ano, em Salvador, que terá como tema “Guerreiras da Independência”, em homenagem às mulheres que participaram da luta pela Independência da Bahia e do Brasil, representadas por Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa. Às 16h, o cortejo fará uma parada em frente ao IGHB, homenageando Consuelo Pondé de Sena.

 

De acordo com o historiador e sócio do IGHB, Jaime Nascimento, colega de trabalho e amigo de Consuelo Pondé, essa dedicação da historiadora à História da Bahia e ao estudo da língua Tupi era o grande destaque do seu trabalho, mas a sua paixão mesmo era o Dois de Julho. “A professora Consuelo se dedicava completamente à questão do Dois de Julho, em especial à preservação dos Caboclos, que tiveram sua maior restauração até agora na gestão dela. Nos dias que antecediam o Dois de Julho, ela cuidava pessoalmente das estátuas dos Caboclos”, afirma Jaime Nascimento, que lembra que o grande sonho de Consuelo Pondé de Sena era construir o ‘Memorial Dois de Julho’.  “Era o sonho dela ver esse memorial construído, já que a Bahia é o único  estado brasileiro a ter comemorações de independência fora do Sete de Setembro, e porque foi a partir daqui que os portugueses começaram a ir embora. É uma pena ela ter partido sem ter visto o Memorial Dois de Julho construído”, conta.

 

Reverência - Para o professor, a personalidade forte de Consuelo Pondé de Sena e seu discurso no início do cortejo no dia Dois é o que mais fará falta. “Ela era uma força da natureza, e tinha uma personalidade muito marcante. A fala dela no início do cortejo no dia Dois fará uma falta muito grande esse ano. Ela sempre chamava a atenção dos homens públicos em colaborar com o IGHB e com o Dois de Julho em si. Por isso, eu acredito que esta homenagem que será realizada à professora Consuelo este ano será muito importante”, conclui Jaime Nascimento.

 

Já Myrian Fraga, diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, diz ter uma admiração muito grande pelo trabalho de Consuelo Pondé, e afirma que a professora deixou um legado muito grande de cuidado e dedicação ao Dois de Julho. “Nossas famílias eram muito próximas, e eu admirava muito o trabalho realizado por Consuelo, principalmente por ela ter escolhido um caminho não muito fácil, o estudo da língua Tupi. Além disso, a sua relação com a Bahia era muito estreita, e ela tinha uma verdadeira fascinação pelos caboclos do Dois de Julho. Ela está deixando um legado muito grande de reconhecimento da importância do Dois de Julho e das figuras dos Caboclos, que são os ícones dessa festa”, afirma Mirian Fraga.

 

Fundação Pedro Calmon - Consuelo Pondé de Sena também foi diretora do Arquivo Público da Bahia (APEB), unidade que hoje é vinculada à Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (FPC/SecultBa), no período de  1987 a 1991, e durante sua gestão  deu ênfase à qualificação dos servidores do Arquivo, subsidiando sua participação em cursos de especialização em Arquivologia, ministrado pela antiga Escola de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal da Bahia, e também em estágios técnicos no Arquivo Nacional da França.

 

O diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, afirma ter conhecido Consuelo Pondé de Sena neste período, quando ela dirigia o APEB e que, desde aquela época, a historiadora já se mostrava uma pessoa absolutamente dedicada e tomada pela História da Bahia. “Há 30 anos, eu me lembro que Consuelo alertava em todas as reuniões de diretoria sobre a inadequação do espaço do Arquivo Público da Bahia. Ela reclamava de maneira veemente contra as condições de insalubridade, armazenamento e dos recursos disponíveis, e isso mostrava que ela conhecia o valor daquele material e a importância para a História da Bahia. Ou seja, era sua maneira mais eloquente de demostrar o seu profissionalismo”, lembra Zulu Araújo.

 

O diretor da Fundação destacou ainda a importância de se homenagear Consuelo Pondé pela conquista do reconhecimento do Dois de Julho como o início da Independência do país. “Ela sempre defendia a tese sobre a Independência do Brasil na Bahia, e depois que ela assumiu a presidência do IGHB, ela tornou isso uma luta permanente”, conta o diretor, destacando também o cuidado da historiadora com os personagens do dois de Julho, em especial os Caboclos. “Ela tinha uma dedicação visceral. Cuidava da casa dos Caboclos como se cuidasse da própria casa dela.”, afirmou o diretor. “O mais importante é que ela pôde ver sua luta se tornar realidade, e hoje o Dois de Julho ganhou o reconhecimento nacional. Homenagear Consuelo Pondé de Sena é homenagear e reconhecer a importância da luta dos baianos para a Independência do Brasil, o Sete de Setembro”, concluiu Zulu Araújo.

 

Consuelo Pondé de Sena faleceu em 14 de maio de 2015, aos 81 anos, no Hospital Português, em Salvador, onde estava internada desde o dia 26 de abril deste ano, por conta de complicações decorrentes de pneumonia.

 

Foto: Joá Souza

 

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