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ATARDE ONLINE: Consuelo Pondé: "Todo povo tem que ter a sua história"

24/03/2015

O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) é também chamado a "Casa do Povo" pela estreita ligação com as comemorações da Independência e de outras importantes datas. A instituição guarda as imagens do caboclo, assim como sediou o congresso que comemorou os 400 anos da fundação de Salvador, em 1949. O IGHB já iniciou as comemorações dos seus 120 anos, programadas para durar o ano inteiro, como conta Consuelo Pondé, nessa entrevista.

O IGHB está completando 120 anos. Como a senhora define essa instituição nos tempos de hoje?
Essa instituição passou por várias etapas. Foi fundada em 1894 e teve um período de hesitação, mas as pessoas foram chegando. Essa casa é um marco. Ela passou por várias sedes e em 2 de julho de 1923 foi inaugurada para comemorar o centenário da Independência da Bahia. Bernadino de Souza, secretário perpétuo do IGHB, sonhou fazer uma sede que seria um monumento à independência do Brasil na Bahia. Essa casa sempre esteve ligada à ideia do 2 de Julho. Os caboclos, inclusive, estão conosco.

O que tem programado para os 120 anos?
Nós estamos com problemas devido à falta de dinheiro. Mas temos alguns projetos concorrendo no Faz Cultura. Precisamos requalificar o salão nobre, que tem 90 anos de uso e está muito estragado. O telhado está com vazamentos; os pombos estão invadindo a casa e falta pintura. Apostamos no projeto, mas tudo isso demora muito.

Também estão previstos seminários e publicações?
Estamos tentando acertar com a Assembleia Legislativa da Bahia a publicação de uma revista especial no dia 13 de maio, dia do aniversário. Mas o ano será todo de celebração. Queremos fazer um congresso no segundo semestre e contamos com a prefeitura de Salvador. A temática será "Bahia, comida e festa". Aqui temos muitos especialistas nessa área. Vivaldo da Costa Lima, por exemplo, foi um grande conhecedor da antropologia sobre a comida e tem seguidores na Bahia e fora dela. Nossa proposta é para o segundo semestre, pois este ano teremos Copa do Mundo, para a qual estarão voltadas as atenções.

Que outro momento marcante a senhora destacaria?
Em 1949, por ocasião do IV Centenário da Fundação da Cidade do Salvador, essa casa viveu outro grande momento. O IGHB era presidido pelo professor Francisco Peixoto de Magalhães Neto e o historiador Brás do Amaral foi escolhido como presidente do I Congresso de História. Brás do Amaral morreu. Aí escolheram Bernardino de Souza, que estava no Rio, mas ele morreu. Aí disseram: "Quem vai ser agora?". Magalhães Neto, que era supersticioso, disse: "Eu não quero ser presidente. Botem outro". Wanderley Pinho, que era prefeito de Salvador, assumiu. O congresso reuniu mais de 500 inscritos. Veio uma grande comissão de Portugal, pessoas envolvidas com documentação do período colonial. Foi um acontecimento que, inclusive, permitiu uma ampla discussão sobre a fundação da cidade.

Diferentemente do que as pessoas, de um modo geral, imaginam, embora seja um ambiente voltado para a pesquisa, o IGHB é bastante movimentado.
Sim. No ano passado tivemos cursos direcionados a cadeirantes. Providenciamos o deslocamento deles até aqui. Depois organizamos um curso para pessoas com deficiência visual. Eles vieram, mas se queixaram, pois não puderam acompanhar de forma mais intensa. Então o professor organizou um curso especial de geologia, que incluiu, por exemplo, uma maquete de Salvador para que eles pudessem, pelo tato, conhecer o relevo da cidade de Salvador. Não é, portanto, uma casa fechada. Ela já nasceu desse jeito. Afrânio Peixoto disse que, diferentemente de outros institutos brasileiros, o IGHB não tem cadeiras como as academias. Os primeiros anos foram difíceis, mas a instituição foi ganhando prestígio, sobretudo quando Bernadino de Souza fez a campanha para a construção dessa sede. Ele mobilizou o país inteiro para arranjar doações.

Foi uma campanha de doações populares?
Foi uma campanha de subscrição popular. Até o marechal Rondon deu dinheiro para a construção dessa sede. Bernardino de Souza apelou a todos. Ele escreveu para os juízes do interior. Meu avô era juiz em Alagoinhas. Aqui tem a carta do meu avô para Bernadino dizendo que não podia mandar muito dinheiro, pois sua comunidade era pobre, mas ele mandou. Tem uma carta de minha tia-avó, que era professora em Lajes, mandando uma pequena quantia. Meu pai também contribuiu. É só uma amostra de como a construção dessa sede mobilizou os baianos e pessoas de outros estados também. A ideia é que estava sendo criada a "Casa da Bahia".

O IGHB tem um acervo documental considerável.
É o maior acervo de história da Bahia. Quando Ubiratan Castro de Araújo esteve aqui no centenário do governador Antônio Balbino, representando o governador, ele fez um discurso dizendo que essa instituição é o verdadeiro museu de história da Bahia.

Vocês guardam os caboclos do 2 de Julho e organizam a festa . Como a senhora analisa, hoje, as comemorações populares da cidade?


Lamentavelmente acho que não se ensina mais história da Bahia. Quando menina, eu vinha assistir ao desfile do 2 de Julho aqui e nem imaginava que um dia estaria presidindo o instituto. Os sócios abriam a casa e ficavam aqui e a rua sempre estava repleta de gente. Hoje, no desfile à tarde não tem ninguém. O IGHB continua ficando aberto, mas poucos políticos passam no período da tarde. A festa tem perdido muito prestígio. Lá na Lapinha continua o mesmo entusiasmo, mas a segunda etapa da tarde caiu muito. No Campo Grande é melhor, pois tem música. Mas o 2 de Julho ainda não se transformou em um carnaval, graças a Deus. De qualquer maneira, essa casa tem sido a guardiã de tradições que a gente não pode deixar morrer. Todo povo tem que ter a sua história e manter a sua tradição.

A senhora é uma das entusiastas da ideia de implantação de um memorial sobre o 2 de Julho.
Queria que houvesse um memorial que ficasse aberto à visitação pública. Poderíamos fazer uma réplica das estátuas dos caboclos para que desfilassem, e as estátuas antigas ficariam guardadas Os carros estão muito desgastados. Já dei a ideia de fazer uma espécie de estrado para colocar os carros em cima, pois as rodas já estão muito estragadas. Todo ano a prefeitura gasta de 15 a 20 mil reais para garantir o conserto dos carros.

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