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Na expectativa de fruir dias melhores

11/03/2015

Tenho penado tanto que estou a merecer uma trégua. Sim, não há quem suporte mês a fio uma situação desconfortável, como a que experimento há muito tempo. Sem previsão de alta médica, manifesto a vontade de voltar a ser feliz e alegre como costumeiramente. Ontem à tarde fui ao pneumologista, mas a consulta demorou muito de acontecer e já não aguentava mais esperar. Mesmo assim, cansada, aguardei ser atendida, mas voltei para casa muito fatigada.

 

Quando falo sobre essas condições de saúde, claro que sei não ser a única a enfrentar a adversidade. Sou apenas mais uma pessoa que atravessa um momento difícil. Outros, certamente, estarão padecendo mais do que eu e em situações mais desfavoráveis.

 

Esses registros, contudo, têm por objetivo fixar momentos de grande dissabor e entretecimento. 

Trato de assuntos comuns porque, no momento, eles gravitam sobre mim, com tal intensidade que não é possível deixá-los de lado ou ignorá-los, permanecer em silêncio e não dá oportunidade de muitos tomarem conhecimento de uma situação do domínio médico.

 

Quem fez esse “rico” diagnóstico foi o jovem cardiologisa Laudenor, do Hospital Português, que firmou posição e acabou “acertando na mosca”.

 

Parabéns, meu amigo, irmão, camarada, você é nota 10. Vai longe, pois faz cardioversão (fez três só em mim), mexe com aparelhagem cardiológica do HP, entre outras habilidades que domina.

 

Conheci-o por intermédio de meu filho Eduardo Pondé de Sena, de quem Laudenor fora discípulo no estudo da Famacologia. Deixara o Mestre impressionado com seu preparo, com sua responsabilidade profissional, com a capacidade de estudar sempre, não permanecer como um tolo inexperiente.

 

Mas, voltando para mim mesma. Que assuntos tenho eu, afastada do convívio humano, para trocar ideias com quem quer que seja? O óbvio é o meu dia a dia. E esse óbvio já está um “saco” pesado de carregar.

 

Gosto muito de ler, mas, no momento, nada me apetece, fico na TV e escrevo um pouco, enquanto não sou tomada pela exaustão. Curioso como o computador me deixa muito cansada. Tenho o limite de uma hora para nele permanecer. Depois canso e canso para valer. Fico desenraizada durante duas horas. Considerem, portanto, o meu esforço para estar ao vosso lado. É um presente de minha saúde para os que a têm.

 

Por outro lado, jamais imaginei que uma situação clínica, para mim, até então desconhecida, “bagulhasse” o meu coreto, deixando–me impotente diante da força da pneumonite. Puxa, que coisa terrível, padecimento que mina as forças desta “paciente” e não lhe permite, sequer, pensar em paz.

 

Durmo sob efeito de Lorax, mas não tenho sono. Fico o dia, inteirinho, olhando o sol abrasador passar por minha cabeça, além de ter que sofrer calor intenso deste mês de março, que se inicia sob fagulhas de intensidade insuportável.

 

Sem prazo para alta médica, vou ter que desistir de passar a Semana Santa em Minas. Seria bom rever minha neta, seu marido oftalmologista, Sérgio Jacobovitz e os dos bisnetos: Lucas (um artista mirim) e Mateus, um menino desabusado, muito lindo, que gosta de brigar com os colegas na escola, instituição que pratica métodos novos e criativos. Não dá para viajar de avião, muito menos enfrentar o desconforto dos nossos aeroportos, os problemas da rede aérea brasileira. Vivemos numa terra super–bagunçada, onde as “regras” são feitas, no papel, para não serem cumpridas. Tudo de mentirinha.

 

Acho que já conversei demais, não tenho força para continuar nessa lenga–lenga.

 

Bem, é o que sinto neste dia, em que me preparo para mais um “recolhimento” na cama, porque nada tenho a fazer e preciso muito descansar. Quando tudo passar, se é que vai acontecer, pelo menos registrei um momento, dolorosamente, singular da minha vida.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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