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Limitação

20/01/2015

Jamais havia dimensionado o valor excepcional da saúde porque não experimentara a necessidade de ficar, praticamente, dependente da ajuda alheia. Episódios menos sérios já haviam interrompido, por pouco tempo, a febril atividade.

 

Talvez, essa carga dos últimos novos distúrbios viessem tolher-me os passos e ensinar-me como é doloroso ver o tempo passar “através da janela”. Sempre fui de contatos humanos e o isolamento não me faz bem.

Por outro lado, a mesma condição tenha me afastado da vida da cidade, tal como antes fazia.

Sem ajuda, não seria capaz de sobreviver aos momentos difíceis por que tenho passado. È dessa forma que avalio o inestimável trabalho dos que se dedicam a área de atendimento, em todos os níveis da saúde. Não há como distinguir a dedicação aos trabalhos dos que compõem serviços de atendimento, desde os que executam trabalhos secundários, aos técnicos, enfermeiros e médicos. São todos gentis, humanos, carinhosos e, extraordinariamente, competentes.

 

Difícil é arcar com as responsabilidades impostas pelas mais diversas enfermidades, cada uma com sua carga negativa, e procurar minorar o padecimento alheio para investir a favor dos padecentes, tal como fazem os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, etc. Responsabilidade é a palavra de ordem para esses profissionais da saúde, que carregam sobre os ombros a tarefa de salvar vidas e ajudar a cada um dos sofredores. Não que desconheça a gravidade de certas doenças, principalmente, as neurológicas, que desafiam os médicos, porque são irrecuperáveis. Com um pai e um marido neurologistas, pude acompanhar um pouco a grande empreitada que é tentar aliviar sofrimentos duradouros.

 

O caminho da velhice é sempre tortuoso e as marcas do tempo deixam sequelas insuperáveis. Pior que, quando se é jovem, jamais se imagina o peso dos anos vividos. A vida é um céu de brigadeiro e as nuvens são todas cor de rosa. Tudo parece bom e lindo, aquecendo de ilusões dos que apenas começam a empreender o caminho da existência. Por isso, nada mais comovedor do que o rosto risonho de um bebê feliz, o engatinhar apressado dos pequeninos, enfim, gestos e posturas dos que iniciam a caminhada terrena.

 

Por outro lado, nada mais edificante do que a luta dos que têm limites físicos e procuram superá-los com estoicismo, enfrentando até a proximidade da morte. São pessoas escolhidas por Deus para se submeterem a inúmeros sacrifícios sempre trazendo consigo lições de otimismo e serenidade. São seres especiais que se defrontam com dificuldades e consegue superá-las estoicamente.

 

Talvez se espantem ao lerem essas descosturadas linhas, o tom pouco comum e confessional, com o que me exponho abertamente, mas só posso escrever de acordo com o que venho sentindo e experimentando, movida como sempre fui pela emoção. Nada como a vivência para poder abrir o peito e falar com a espontaneidade, como sempre fiz.

 

Todavia, a vida é um dom precioso e vale lutar por ela, mesmo em situações difíceis. Diria que, quase, se deve acreditar no insuperável.

 

Já vi muitas pessoas, expostas a diversos traumas, suportarem enormes embates, lutando para vencer a adversidade. Sei que é muito difícil superar esses problemas, mas é preciso demonstrar espírito forte e força de vontade superior.

 

Vencer o perigo é triunfar com glória e a força da vontade é tanto maior quanto maior é o desejo da vitória. De minha parte, ainda não desisti, creio em Deus e na sua misericórdia. Por isso, confio no meu restabelecimento total.

 

Desculpem-me os que não gostam desse jeito de escrever, tão meu e tão vivaz e comunicativo, conforme assinalou, um dia, meu Mestre Thales de Azevedo, em artigo publicado na imprensa.

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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