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Rômulo Almeida, um nome e uma homenagem

22/10/2014

Consuelo Pondé de Sena

Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia

 

 

Quando se comemora o centenário de um homem expressivo como Rômulo Almeida ocorre a lembrança de uma homenagem do tamanho da sua obra. É a ideia que surgiu no seio dos amigos e admiradores do saudoso economista baiano, a sugestão da mudança do nome do Pólo Petroquímico de Camaçari para Pólo Petroquímico Rômulo Almeida.

 

Rômulo Barreto de Almeida nasceu a 18 de agosto de 1914, na Cidade do Salvador. Tendo-se matriculado na Faculdade de Direito da Bahia, onde se diplomou em 1933, não seguiu a carreira jurídica, mas se inclinou para os estudos de planejamento e de economia. Essa tendência do seu espírito conduziu-o, em 1941, a direção do Departamento de Geografia e Estatística do Acre.

 

Não se deteve por muito tempo naquela função e naquele local, tornando-se, nos anos de 1942 e 1943, professor substituto da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas do Rio de Janeiro. Em 1946 teve efetiva atuação como assessor da Comissão de Investigação Econômica e Social da Assembléia Nacional Constituinte. Dali por diante a ascensão de Rômulo Almeida processou-se vertiginosamente, tendo o conceituado conterrâneo assumido posições relevantes, a exemplo de inúmeras subcomissões estrangeiras: Comissão Mista Brasil–Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico, conhecida como Missão Abbink, que reativou a cooperação econômica enviada pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, do período da Segunda Guerra Mundial. A nova comissão tomou esse nome por causa de John Abbink, que representou o interesse norte–americano, enquanto Otávio Bulhões de Carvalho representou o brasileiro.

 

De tal forma sobressaiu o nome de Rômulo Almeida como experiente economista que, em 1950, ele atuou como especialista junto à Confederação Nacional da Indústria, filiando-se no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Aproximado do governo de Getúlio Vargas, integrou o Gabinete Civil da Presidência da República, em 1951, incumbindo-se de organizar a Assessoria Econômica da Presidência da República. No mesmo ano, tornou-se membro do conselho consultivo da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), em cuja função permaneceu até 1966.

 

Talhado para grandes empreendimentos, a partir de 1953, passou a exercer o cargo de consultor econômico da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) autoridade monetária que antecedeu o Banco Central do Banco Central do Brasil. No mesmo ano, assumiu a presidência do Banco do Nordeste do Brasil, por ele próprio idealizado, concebendo-o e participando da sua implementação. Após o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, afastou-se, definitivamente, do cargo.

 

Teve atuação parlamentar, tendo sido eleito deputado federal pela Bahia, pelo PTB. No ano seguinte, porém, deixou a Câmara para tornar-se Secretário da Fazenda do Governo da Bahia, onde teve desempenho marcante e inovador. Coube-lhe criar e presidir a Comissão de Planejamento Econômico (CPE). Em 1957, além de criar e presidir o Fundo de Desenvolvimento Agroindustrial da Bahia, foi designado vice-presidente da Rede Ferroviária Federal. Voltou à Câmara Federal em julho desse mesmo ano, nela permanecendo até o mês de dezembro. De 1957 a 1959 reorganizou o Instituto de Economia e Finanças da Bahia, sendo que, nesse último ano, durante o governo de Juracy Magalhães, assumiu a Secretaria para assuntos do Nordeste, no Estado da Bahia. Outras importantes funções foram por ele exercidas como representante do seu estado. Após o golpe militar de 1964, filiou-se ao MDB, do qual foi primeiro presidente na Bahia. Concorreu ao senado em 1978, mas foi vencido por Lomanto Junior, da Arena. Também se candidatou a vice-governador na chapa de Roberto Santos, em 1982, mas não foi eleito.

 

Rômulo Almeida teve atuação docente na Faculdade de Ciências Econômicas da Ufba, na Escola de Comando do Estado Maior da Aeronáutica, no Curso de Planejamento do Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp) e na Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (Ebap-FGV). Entre outras funções e realizações, teve remarcável participação na idealização do Pólo Petroquímico de Camaçari, do Porto e do Centro Industrial de Aratu, que tiveram o papel deslanchar o processo de industrialização do estado da Bahia, além de ter participado, nos anos 1950, da criação da Petrobrás.

 

Em que pesem suas inúmeras participações em importantes setores da vida brasileira, Rômulo Almeida ainda publicou várias obras relacionadas com suas múltiplas atividades.

 

Personalidade tão rica e atuante, foi Rômulo Almeida falecido aos 74 anos, no dia 23 de novembro de 1988, um dos mais destacados baianos do século XX. 

 

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