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Visconde de São Lourenço

17/09/2014

Consuelo Pondé de Sena

Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia

                 

                                                                           

Há poucos dias, revisitando a pinacoteca do IGHB, avistei um quadro de Francisco Vicente Martins, um tanto esquecido pelos pósteros, embora não lhe faltasse qualificação para ser sempre recordado. De imediato, tratei de trazê-lo para ser dependurado em espaço de maior visibilidade.

 

Francisco Vicente Martins é natural de Rio Fundo, outrora pertencente ao termo de Santo Amaro, onde nasceu em 1827. Faleceu na Cidade da Bahia a 10 de setembro de 1872, aos 65 anos de idade.

 

Tendo recursos, sua família mandou-o para Coimbra. Cursou humanidades no Seminário de Sarnache, em 1823. Em seguida, matriculou-se na faculdade de Coimbra, onde se graduou bacharel em 1827, cursou o quinto ano e habilitou-se para a formatura. Todavia, foi muito perseguido pelo governo de D. Miguel por manifestar-se favorável à causa constitucional de D. Maria II. Consta que chegou a entrar na batalha no Vouga e em Marouços, por ter emigrado para a Espanha. Dali, atravessou a pé esse território, alcançando a França e, depois, a Inglaterra.

 

Regressou ao Brasil em 1830, sendo-lhe conferido o título de bacharel, após dispensa de cursar o último ano. Como se pode verificar, benemerências especiais e exames ou estudos por decreto sempre existiram neste país.

 

Exerceu a advocacia até o ano de 1833, quando foi nomeado juiz de direito e chefe de polícia da comarca da cidade da Bahia, por decreto de 15 de julho.

Na pátria foi tudo, desde advogado a jornalista, político, magistrado, chegando a ser juiz de direito e desembargador. Aposentou-se com honras de ministro do Supremo Tribunal de Justiça.

 

No exercício da política foi chefe de polícia, deputado, presidente de Província, senador, ministro de Estado, por mais de uma oportunidade. Mais tarde, a Coroa agraciou-o com o título de Visconde de São Lourenço, por causa do seu engenho na Bahia.

 

Recebeu inúmeras críticas pelo seu comportamento como chefe de polícia, porque, durante a Sabinada, não percebeu em tempo a eclosão do movimento.

 

Entretanto, deve-se atribuir-lhe, com justiça, no ministério de 1852-53, a primeira estrada de ferro do Brasil e a navegação a vapor no Rio Amazonas. Em carta ao seu adversário, o Barão de Cotegipe, mais prudente e reservado, declarou: “Continuo a fabricar empresas colossais e quando largar a administração, ou o Brasil fará inveja aos Estados Unidos ou terá bancarrota. Vou ficando com a cabeça um mapa-mundi! Não há regato nesses longínquos continentes que nasçam ou corram nessa cachola geográfica ou topográfica! Diga-se de passagem que esses empreendedores não são comumente encontrados no país, muito menos na Bahia. Aqui se contam aos dedos e não atingem mais que do uma mão.

 

Sobre ele escreveu Wanderley Pinho: “O seu bairrismo exaltado, o seu baianismo quase hostil, eram ampliações concêntricas dessa irradiação pessoal”.

 

Era realmente um homem de larga visão, de grande coragem, perfeito empreendedor no sentido mais amplo da palavra. Por conta dessa disposição, continua W. Pinho: “Essa paixão pelas empresas, mesmo com o risco de bancarrotas, não o abandona quando deixa o governo e vai na Bahia desdobrar-se, com coragem, em seu novo engenho central de São Lourenço, que o arruinaria, e companhias de navegação, e explorações de madeiras — numa ânsia trepidante de criar, ensinar, enriquecer.”. No governo da Bahia preocupou-se com obras e melhoramentos materiais, tendo atendido ao pedido de navegação dos rios: São Francisco, Mucuri, Pardo e Belmonte. Em 1850 tomou providências de combate à febre amarela para acudir a população contaminada. Favoreceu o trabalho livre, empenhando-se, por meio de uma lei provincial, em excluir os escravos do tráfego do porto da Bahia, realizado por saveiros. Criou a diretoria geral da instrução pública, aprimorando os seus serviços. O progresso material da província deu-lhe muito destaque, tendo, por conta da sua incessante atividade, sofrido oposição dos liberais. Em compensação, ficou sendo até a morte o chefe acatado, reconhecido e mais influente do partido conservador baiano. Antes de 1868 já havia sido agraciado com o título de barão de São Lourenço, sendo mais tarde elevado a visconde.

 

Não enriqueceu, ao contrário, arruinou-se, o que foi favorável ao seu conceito de homem probo.

 

Assim, ficou na história como homem de realizações e de muito trabalho, pois muito falou e muito escreveu. Foram incontáveis relatórios, falas de abertura da assembléia provincial, comentários de decretos e leis, justificativas de suas ações na Sabinada, discursos parlamentares e outros.

 

Típico baiano do seu tempo, exemplar magnífico do homem de ação, Francisco Gonçalves Martins foi um baiano autêntico.

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