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Tributo a um escritor fiel às suas origens

16/07/2014

Conheci João Ubaldo nos dias da mocidade, quando não era muito comum contar com amigos de outro gênero, daí sempre vê-lo à distância.
 
Por isso, lembro-me, apenas, do tempo em que era aluno do Colégio Central, por volta de 1955, e caminhava pela Avenida Joana Angélica envergando o “blusão” caqui, com emblema do curso clássico. Também me recordo de sua atividade como repórter do Jornal da Bahia e, mais tarde, sua militância na Tribuna da Bahia. 

 

Era um homem de jornal e afeito às tarefas relacionadas com esse exercício. Também o encontrava, sempreacompanhado dos colegas, na porta de entrada da Faculdade de Direito da Ufba e em outros acontecimentos universitários. 

 

Gregário por natureza, não o via sozinho, mas sempre arrodeado de amigos, que se deliciavam com sua prosa viva e seu humor contagiante. 

 

Surgiu muito cedo na literatura ao participar da antologia “Panorama do conto baiano”, organizado por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia. 

 

Mas, dele me recordo com mais nitidez a partir do momento em que, regressando ao Brasil, em 1965, passou a dar aulas de Ciência Política na Faculdade de Filosofia, onde eu também lecionava. Nos intervalos das aulas, quando os professores costumavam reunir-se para beber água ou tomar um cafezinho, sempre batíamos agradáveis papos. 

 

O fato de ter ascendido tão rapidamente na vida e ter, precocemente, adquirido notoriedade, nunca mudou seu comportamento em relação às pessoas com quem se relacionava ou o procurava para qualquer contato. 

 

É fácil comprovar sua comunicabilidade sem restrição, observando-se como se comportava em relação aos moradores, comerciantes, enfim, aos populares de Itaparica.

Ardoroso defensor da língua portuguesa, manifestava muita preocupação com o crescente uso do inglês, que vem subtraindo, com desvantagem, a expressividade do vernáculo.

 

Reencontrei-o, algumas vezes, pela internet, em Itaparica e, na ALB, por ocasião da posse de Joaci Góes e, por último, quando assumiu a cadeira na Academia de Letras da Bahia, na noite de 22 de novembro de 2012, quando foi recebido pelo Acadêmico Joaci Góes, seu fraternal amigo. Continuava o mesmo. Risonho, afável, comunicativo, brincalhão, tal como fora nos dias de anonimato, longe das luzes do prestígio que, mais tarde, adquiriu.

 

Seus livros estão aí para esculpir o seu temperamento e a força do seu estilo inimitável. Suas crônicas também deixarão um espaço insubstituível nos jornais que, semanalmente, as divulgavam.

Pessoalmente, sentirei muita falta das suas crônicas do domingo, desopiladoras dos fígados mais rebelde, cheias de graça e de sutil ironia.

 

Há poucos dias assisti a reprise da sua apresentação no Roda Viva, da TV Cultura, quando discorreu sobre o que lhe indagavam, a tudo respondendo com a maior desenvoltura. Chamou-me atenção o fato de declarar que fez tudo para ser comunista, como era de hábito entre os jovens da época. Não conseguiu. Apesar disso, foi tido como simpatizante do movimento, o que lhe causou dificuldades durante alguma tempo.

 

Seu “espaço de memória” era Itaparica, lugar onde nasceu e cantou em toda sua obra de ficcionista. 

Dentre todos os seus livros tenho preferência por “Viva o povo brasileiro (1984)”, no qual reúne o fantástico com a realidade, com uma carga de brasilidade que comove e fascina. Com a publicação dessa obra, a literatura de João Ubaldo mudou de direção, conforme assinalam alguns estudiosos. Para mim, que nada sei, mas sei sentir, a grande obra reafirma a identidade nacional, revelando o Brasil nas suas entranhas.

 

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