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A Neurastenia Coletiva

26/03/2014

No mundo atual, todos padecem desse mal. Observem as inquietações à sua volta, as incertezas de uma nova guerra, as crises econômicas e financeiras mundiais, a confusão generalizada, o desespero e o sofrimento. O pior é que, com os avanços dos meios de comunicação, a crise mundial se propaga. Com efeito, todos sabemos que as emoções são contagiosas e a repetição exaustiva de fatos desagradáveis só aumenta o sofrimento de todos. Tragédias coletivas são anunciadas nas redes de notícias. Repetidas a cada momento, sem que nada justifique tão trágica divulgação, pois as famílias das vítimas são massacradas ao extremo. 

 

Muitas pessoas sentem prazer em predizer as maiores catástrofes, os mais terríveis acontecimentos.  Tive um colega, na infância, que se perturbava em classe, porque imaginava que sua casa iria pegar fogo, outra que roía as unhas por tensões familiares, mais outra que fazia xixi na cama, porque tinha receio que seus pais se separassem. 

 

Apesar de nossos esforços, a razão não nos governa inteiramente. Mas, repito, cultivamos o prazer das emoções fortes, sendo as mais cruéis, as que têm maiores demandas. Nunca este fenômeno psicológico foi tão assinalado como atualmente. Observem que o medo e o pânico estão na ordem do dia. Medo de ir à rua, de entrar e sair numa agência financeira, de ser assaltado ou mesmo ter sua morada invadida por meliantes.  Esse é um produto dos nossos dias, dessa atividade febril e agitada, que provoca a estafa em todos os aspectos: cerebral, intelectual, muscular e emocional.

 

Curiosamente, teme-se menos a morte, a nossa maior probabilidade, do que as dificuldades cotidianas. Mas, é preciso afastar o medo, deixar de lado as ideias sombrias e agir de acordo com a consciência. Os homens de hoje estão cada vez mais assoberbados de afazeres. Arrastados para muito além das suas forças físicas e psíquicas, são mais “cobrados” pela família e pela sociedade.

As condições de vida alteraram completamente a rotina de uma família. Não se come, como outrora, em companhia dos familiares. Come-se às pressas, nos fast foods da vida, nos self services ou mesmo nos balcões. Muitos ainda têm o hábito de comer em casa, mas para chegar ao seu destino têm que enfrentar o trânsito, os desconfortos do transporte público, os empurrões e xingamentos. Resultado, não dá para enfrentar tantos obstáculos.

 

Disse Montaigne o seguinte: “O homem é prejudicado não tanto pelos acontecimentos, mas principalmente pela maneira como encara os mesmos“. Grande verdade. A serenidade oriental ensina aceitar sempre o pior, pois o sucesso ou o fracasso só depende daquele que os cultiva.

“É impossível, ao menos para mim, desconhecer a boa e a má sorte.” A boa  sorte, escreveu Saint Beuve, “significa possuir qualidades que não estão nem acima nem abaixo das circunstâncias, mas se acham no nível exato”. O importante é saber adaptar-se às circunstâncias, mas quando não se consegue essa façanha atribui-se a culpa à má sorte. Ou não é verdade?. 

 

Contudo, faço uma ressalva, tem ocasiões em que nossa vida dá uma degringolada e, então, entra a má sorte, sendo nós mesmos, na maioria das vezes, que contribuímos para a nossa infelicidade. Um inquérito feito há muitos anos provou que 100 pessoas escolhem mal suas carreiras, de tal sorte que, num grupo de estudantes, somente três obtiveram sucesso e 97 atingiram uma posição inferior àquela que poderiam obter. A mesma pesquisa revelou que entre os 97 fracassados, somente três tinham sido mesmo azarados, mas que os outros 94 não haviam se empenhado para obter o seu objetivo, fosse por negligência, falta de adaptação e de harmonia.  

 

Além disso, sucesso nem sempre garante a felicidade, pois essa se traduz por harmonia e satisfação íntima. Lembrar que sentimentos negativos: ciúmes, inquietação, ódio e inveja destroem a harmonia das nossas funções físicas e nos tornam desagradáveis. Por sua vez, os sentimentos positivos: confiança, otimismo, benevolência, estimulam nossas funções físicas e nos tornam agradáveis. 

Sinto-me privilegiada por ser mulher, por dar continuidade à vida, e fazer um filho da minha carne e do meu sangue, de velar do seu sono, de alimentá-lo da minha seiva e também do meu sofrimento. 

A sensibilidade e a imaginação são condições inerentes à mulher. Capaz de competir com o homem em diversos setores da atividade humana, antes de tudo, ela jamais se esquece que é mulher. Sua verdadeira vocação é amar e proteger, mesmo quando se instrui, se qualifica, passa a ocupar cargos relevantes não deixa de ser mãe, de amparar, de acolher.

Mesmo quando disputa cargos e posições com os homens ela jamais perde seu encanto, é quase sempre faceira e sedutora. Bem, apesar dessas considerações, quero voltar ao título deste texto. Vivendo neste mundo de situações tão díspares, de inquietações tão borbulhantes, a mulher também está envolvida nessa neurastenia coletiva. 

 

 

Publicação: Tribuna da Bahia

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