Minicurso "Arquivos Vivos: Metodologias de Pesquisa em História Oral, Memórias e Patrimônio do Recôncavo Baiano" será realizado no auditório do IGHB em outubro
O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, com o apoio do MINC, promove o minicurso “Arquivos Vivos: Metodologias de Pesquisa em História Oral, Memórias e Patrimônio do Recôncavo Baiano” que acontece, de modo presencial – dias 2, 9 e 16 de outubro - das 14h às 18h, e com estudos complementares dias 23 e 30 de outubro de 2026. As aulas serão ministradas pela professora doutora Vanessa de Almeida Dócio.
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O minicurso propõe capacitar os estudantes na metodologia da História Oral, discutindo seus fundamentos teóricos, procedimentos práticos e questões éticas na coleta e tratamento de relatos pessoais. Serão debatidas as concepções de fonte e tradição oral, o papel do historiador nessa produção e as relações entre memória, narrativa e subjetividade. O curso articula a História Oral à História Social, promovendo o estudo das identidades sociais e das praticas de dominação política. Por fim, explora as possibilidades do uso de fontes orais como recurso para a compreensão do patrimônio cultural do Recôncavo Baiano.
Os objetivos estão em analisar os fundamentos teóricos que articulam memória, narrativa e subjetividade, a partir das concepções de fonte e tradição oral; examinar os debates contemporâneos sobre memória coletiva, lugares de memória, memória cultural e história oral; aplicar os procedimentos metodológicos e éticos essenciais para coleta, transcrição e tratamento de fontes orais; analisar o papel dos relatos e fontes orais para o resgate e valorização do patrimônio cultural com foco na realidade do Recôncavo Baiano.
Saiba mais:
A História Oral apresenta-se como uma potente para a emergência de novos sujeitos no conhecimento histórico. Ao investigar a memória de grupos populares tradicionalmente ausentes da historiográfica oficial, os historiadores orais promovem o afloramento e a recomposição de reminiscências do passado mobilizando linguagens e significados próprios da cultura local.
Nesse processo, novas vivências conectam a memória individual à relação passado-presente, em uma contínua construção, reconstrução e transformação das experiências lembradas. Portanto, tratar a memória como um processo implica compreende-la como uma construção sociocultural balizada por questões do presente.
Essa categoria deve ser entendida no plural – memórias –, visto que indivíduos e grupos constroem representações partilhadas do passado. Configura-se, assim, uma dinâmica indissociável entre a memória coletiva, a memoria individual e seu duplo: o esquecimento. Desse modo, as narrativas orais emergem como ferramentas de problematização do presente, trazendo a tona novos atores históricos que tencionam o debate contemporâneo.
Focado no Recôncavo Baiano, este minicurso une teoria e prática para resgatar memórias e salvaguardar o patrimônio cultural imaterial da região, garantindo visibilidade às tradições locais e à diversidade de suas comunidades. A proposta fundamenta-se em uma perspectiva decolonial e no protagonismo regional, reconhecendo o Recôncavo Baiano como um dos berços da identidade nacional, que abriga matrizes africanas, indígenas e afro-brasileiras estruturantes.
Desse modo, a metodologia da História Oral atua como um contraponto crítico aos registros tradicionais e eurocêntricos, dando voz a comunidades historicamente silenciadas ou marginalizadas. Por fim, o minicurso promove a integração entre o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB)e a sociedade ao fomentar o dialogo direto com os detentores dos saberes tradicionais.
A metodologia proposta para este minicurso estrutura-se em um percurso teórico e prático que conecta a escuta sensível à pesquisa histórica. O processo formativo articula aulas expositivas dialogadas, oficinas praticas de técnicas de entrevistas e analise documental, culminando na elaboração de um miniproduto ou roteiro de pesquisa aplicado às tradições do Recôncavo.
Na dimensão teórica, priorizam-se leituras e debates sobre narrativas orais sob uma perspectiva critica. Já a vertente pratica envolve a audição de entrevistas do acervo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), subsidiando o uso analítico destas fontes na pesquisa histórica. O compartilhamento da produção nacional e internacional em História Oral e o exame de fragmentos de entrevistas guiarão os encontros, estimulando a dialogicidade, a empatia e a escuta qualificada entre os participantes.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
AULA I- Conceitos
Conceito fundamentais e bases teóricas: história, memoria, memória cultural, patrimônio cultural.
Usos da memória e do esquecimento na História
A relação entre o passado vivido, a memória individual e a memória coletiva.
Aula II–História Oral e Memória
O conceito e a história da História Oral;
História Oral: discussões sobre memória e identidade.
A História Oral como metodologia e técnica de pesquisa interdisciplinar.
Subjetividade e Narrativa: Como as lembranças são construídas, silenciadas e ressignificadas no momento da entrevista.
Aula III–Metodologia e Legislação
Ética e Legislação: os cuidados éticos na pesquisa com sujeitos;
A pesquisa histórica e as metodologias de trabalho com a História Oral.
Planejamento da pesquisa: elaboração de roteiros de entrevistas (estruturados e semiestruturados), seleção e contato com os narradores/entrevistados.
Tratamento e análise do material oral: transcrições de entrevistas e a textualização da fonte oral.
REFERENCIAS AUDIOVISUAIS:
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Narradores de Javé. Direção: Eliane Caffé. São Paulo: Bananeira Filmes; Riofilme; Globo Filmes, 2003. 1 filme (102 min), son., color. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Trm-CyihYs8. Acesso em 12 jun. 20206.
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