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Minicurso "Arquivos Vivos: Metodologias de Pesquisa em História Oral, Memórias e Patrimônio do Recôncavo Baiano" será realizado no auditório do IGHB em outubro

Foto do escritor: IGHB Bahia
IGHB Bahia
24 de set.
6 min de leitura

 

O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, com o apoio do MINC, promove o minicurso “Arquivos Vivos: Metodologias de Pesquisa em História Oral, Memórias e Patrimônio do Recôncavo Baiano” que acontece, de modo presencial – dias 2, 9 e 16 de outubro - das 14h às 18h, e com estudos complementares dias 23 e 30 de outubro de 2026. As aulas serão ministradas pela professora doutora Vanessa de Almeida Dócio.

 

Para garantir a inscrição gratuita basta clicar no link



O minicurso propõe capacitar os estudantes na metodologia da História Oral, discutindo seus fundamentos teóricos, procedimentos práticos e questões éticas na coleta e tratamento de relatos pessoais. Serão debatidas as concepções de fonte e tradição oral, o papel do historiador nessa produção e as relações entre memória, narrativa e subjetividade. O curso articula a História Oral à História Social, promovendo o estudo das identidades sociais e das praticas de dominação política. Por fim, explora as possibilidades do uso de fontes orais como recurso para a compreensão do patrimônio cultural do Recôncavo Baiano. 

 

Os objetivos estão em analisar os fundamentos teóricos que articulam memória, narrativa e subjetividade, a partir das concepções de fonte e tradição oral; examinar os debates contemporâneos sobre memória coletiva, lugares de memória, memória cultural e história oral; aplicar os procedimentos metodológicos e éticos essenciais para coleta, transcrição e tratamento de fontes orais; analisar o papel dos relatos e fontes orais para o resgate e valorização do patrimônio cultural com foco na realidade do Recôncavo Baiano. 

 

Saiba mais:

A História Oral apresenta-se como uma potente para a emergência de novos sujeitos no conhecimento histórico. Ao investigar a memória de grupos populares tradicionalmente ausentes da historiográfica oficial, os historiadores orais promovem o afloramento e a recomposição de reminiscências do passado mobilizando linguagens e significados próprios da cultura local.


Nesse processo, novas vivências conectam a memória individual à relação passado-presente, em uma contínua construção, reconstrução e transformação das experiências lembradas. Portanto, tratar a memória como um processo implica compreende-la como uma construção sociocultural balizada por questões do presente.


Essa categoria deve ser entendida no plural – memórias –, visto que indivíduos e grupos constroem representações partilhadas do passado. Configura-se, assim, uma dinâmica indissociável entre a memória coletiva, a memoria individual e seu duplo: o esquecimento. Desse modo, as narrativas orais emergem como ferramentas de problematização do presente, trazendo a tona novos atores históricos que tencionam o debate contemporâneo.


Focado no Recôncavo Baiano, este minicurso une teoria e prática para resgatar memórias e salvaguardar o patrimônio cultural imaterial da região, garantindo visibilidade às tradições locais e à diversidade de suas comunidades. A proposta fundamenta-se em uma perspectiva decolonial e no protagonismo regional, reconhecendo o Recôncavo Baiano como um dos berços da identidade nacional, que abriga matrizes africanas, indígenas e afro-brasileiras estruturantes.


Desse modo, a metodologia da História Oral atua como um contraponto crítico aos registros tradicionais e eurocêntricos, dando voz a comunidades historicamente silenciadas ou marginalizadas. Por fim, o minicurso promove a integração entre o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB)e a sociedade ao fomentar o dialogo direto com os detentores dos saberes tradicionais. 

 

A metodologia proposta para este minicurso estrutura-se em um percurso teórico e prático que conecta a escuta sensível à pesquisa histórica. O processo formativo articula aulas expositivas dialogadas, oficinas praticas de técnicas de entrevistas e analise documental, culminando na elaboração de um miniproduto ou roteiro de pesquisa aplicado às tradições do Recôncavo.


Na dimensão teórica, priorizam-se leituras e debates sobre narrativas orais sob uma perspectiva critica. Já a vertente pratica envolve a audição de entrevistas do acervo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), subsidiando o uso analítico destas fontes na pesquisa histórica. O compartilhamento da produção nacional e internacional em História Oral e o exame de fragmentos de entrevistas guiarão os encontros, estimulando a dialogicidade, a empatia e a escuta qualificada entre os participantes.

 

 

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 

 

AULA I- Conceitos

Conceito fundamentais e bases teóricas: história, memoria, memória cultural, patrimônio cultural.

Usos da memória e do esquecimento na História

A relação entre o passado vivido, a memória individual e a memória coletiva.

 

Aula II–História Oral e Memória

O conceito e a história da História Oral;

História Oral: discussões sobre memória e identidade.

A História Oral como metodologia e técnica de pesquisa interdisciplinar.

Subjetividade e Narrativa: Como as lembranças são construídas, silenciadas e ressignificadas no momento da entrevista.

 

Aula III–Metodologia e Legislação

Ética e Legislação: os cuidados éticos na pesquisa com sujeitos;

A pesquisa histórica e as metodologias de trabalho com a História Oral.

Planejamento da pesquisa: elaboração de roteiros de entrevistas (estruturados e semiestruturados), seleção e contato com os narradores/entrevistados.

Tratamento e análise do material oral: transcrições de entrevistas e a textualização da fonte oral.

 

 

REFERENCIAS AUDIOVISUAIS:

 

MAGRO, Maria Eduarda. Como Trabalhar com Historia Oral em temas Sensíveis? [S. l.]: [s. n.], 14 de jun. de 2020. 1 vídeo (21 min, 31 seg). Publicado pelo canal Historiar-se. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HmUA9lRD8_A . Acesso em: 12 jun. 2026.

Narradores de Javé. Direção: Eliane Caffé. São Paulo: Bananeira Filmes; Riofilme; Globo Filmes, 2003. 1 filme (102 min), son., color. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Trm-CyihYs8. Acesso em 12 jun. 20206.

 

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

ALBERTI, Verena. Manual de história oral. Rio de Janeiro: FGV, 2013.

ALMEIDA, JunieleRabêlo de. “O que a história oral ensina à história pública”. In: MAUAD, SANTHIAGO, BORGES. (Org.). Que história pública queremos? São Paulo: Letra e Voz, 2018, v. 1, p. 101-120.

ASSMANN, Jan. Memória comunicativa e memoria cultural. In. História Oral. v. 19 n. 1. 2016. Disponível em https://revista.historiaoral.org.br/index.php/rho/article/view/642/pdf.  Acesso 13 jun. 2026.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. São Paulo: DIFEL, 1989.

________________. Gostos de classe e estilos de vida. São Paulo: Ática, 1983.

BOSI, Ecleia. Memória e Sociedade: Lembranças de velhos. São Paulo: T.A. Queiroz/EDUSP, 1976.

BRUCK, Mozahir Salomão (Org). Dicionário da memória: verbetes teóricos relacionados aos estudos da memória. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2025.

BURKE, Peter. Variedades de história cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

CARVALHO, José Murilo. “macha acelerada (1930 – 1964)”. In. Cidadania no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016, p. 89-158.

CHAUÍ, Marilena. Cidadania Cultural: o direito à cultura. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2006.

FUNARI, Pedro Paulo Abreu; PELEGRINI, Santa de Cassia Araújo. Patrimônio Histórico e Cultural. 2. Ed. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2009. 

FERREIRA, Marieta de M. e AMADO, Janaína (org). Usos e abusos da história oral. RJ, Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1996.

GOFF, Jacques le. História e memória. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro; 2006.

HARRES, Marluza Marques. História oral: algumas questões básicas. In. Anos 90. Porto Alegre, v. 15, n. 28, p. 99-112, dez. 2008.

MICHEL, Johann. Podemos falar de uma política do esquecimento? In: Memória em Rede. Pelotas, v.2, n.3, ago.-nov. 2010. Disponível em: file:///C:/Users/ACER/Downloads/9545-Texto%20do%20artigo-32097-1-10-20160921.pdf. Acesso 13 jun. 2026.

MONTENEGRO, Antonio T. História oral e memória: a cultura popular revisitada. São Paulo: Contexto, 1992.

MONTYSUMA, Marcos. Subjetividade e história oral: possíveis interações na autorização de cessão de uso de relatos. In. MONTYSUMA, Marcos. ET al. História oral, desigualdades e diferenças. Florianópolis e Recife: EDUFSC/EDUFPE, 2012. 

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. In. Projeto História.vol. 01, n. 10, 1993, p. 07 – 28. Disponível emfile:///C:/Users/ACER/Downloads/12101-Texto%20do%20artigo-29004-1-10-20121015.PDF .Acesso 13 jun. 2026.

PADRÓS, Enrique Serras. Usos da memória e do esquecimento na História. In. Literatura e autoritarismo: o esquecimento da violência. n. 4, 2002.

PAOLI, Maria Célia. Memória, história e cidadania: o direito ao passado. In. O direito à memória: patrimônio histórico e cidadania. São Paulo: DPH, 1992, p. 25-28.

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PERES, Sonia Maria Zanezi. Maurice Halbwachs e a Memória Coletiva e Individual. In. Revista Missioneira. v. 23. n. 2 jul./dez. 2021. Disponível em file:///C:/Users/ACER/Downloads/693-Texto%20do%20Artigo-2383-1-10-20220313.pdf.Acesso 13 jun. 2026.

POLLAK, Michael. Memória e identidade. In. Estudos históricos. Rio de Janeiro, vol.

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THOMPSON, Paul. A voz do passado. História oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

 

 

 

 
 
 

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